Casos de pais que só se tornam ativos na vida dos filhos após serem acionados judicialmente têm se tornado cada vez mais frequentes nos tribunais brasileiros. Especialistas em direito de família e psicologia infantil apontam que essa participação tardia pode trazer riscos ao desenvolvimento emocional e social da criança, uma vez que a paternidade não se resume a visitas pontuais ou a reivindicações legais.
O exercício responsável da paternidade exige presença constante, cuidado direto e envolvimento genuíno. Quando o interesse do genitor é motivado por controle, poder ou retaliação contra o outro responsável, a conduta pode extrapolar a esfera ética e configurar litigância de má-fé, sujeita a sanções legais, incluindo multas e restrições processuais.
Além do impacto legal, a participação tardia pode gerar conflitos emocionais para a criança, que passa a lidar com a presença repentina de um genitor que anteriormente era ausente. Psicólogos destacam que a construção de vínculos seguros depende de constância e comprometimento, e não apenas de direitos formais estabelecidos pelo Judiciário.
Advogados reforçam que antes de reivindicar direitos, os pais devem assumir responsabilidades. O cumprimento de deveres parentais – como acompanhamento escolar, cuidado com saúde, atenção emocional e participação diária – é fundamental para garantir que a convivência seja saudável e significativa.
Especialistas recomendam que famílias que enfrentam situações de ausência parental busquem mediação familiar e acompanhamento psicológico, garantindo que as decisões judiciais favoreçam o bem-estar da criança, e não apenas interesses de um dos genitores.
O alerta é claro: a paternidade tardia pode transformar direitos em conflitos e prejudicar o desenvolvimento infantil, tornando o cumprimento responsável das obrigações parentais um requisito essencial para qualquer reivindicação legal.



